Até onde vai o fanatismo pelas marcas?

Não gosto de fazer compras, seja em que ocasião for. Ainda assim, preciso de o fazer com alguma frequência. Aqui o tema é material desportivo.

Até onde vai o fanatismo pelas marcas

Não gosto de fazer compras, seja em que ocasião for. Ainda assim, preciso de o fazer com alguma frequência. Aqui o tema é material desportivo. Quem é que nunca gostou de ter um equipamento de marca? Quem é que nunca quis ter aquela t-shirt da Nike com o Jordan?

Recentemente, através de mais uma produção Netflix, tomei conhecimento de dois tipos americanos (quem mais?) que iniciaram um movimento de seu nome The Minimalists. O documentário é curtinho, a história à volta da criação do movimento é minimamente interessante, e cedo me identifiquei com algumas doutrinas destes bons rapazes. Eu, que sou “um gajo de marketing”. Mas o que quer isto dizer?

The Minimalists
The Minimalists

Compras grandes não são grandes compras. Neste momento estava a precisar de uns calções para a prática do padel (tenho três, dois deles já rotos) e umas calças de fato de treino básicas. Como faço parte dos 37% de portugueses que fez compras online nos últimos 12 meses (Eurostat, 2018), decidi navegar no grande mundo do e-shopping.

Sem qualquer referência, a minha intuição diz-me que boa parte dos e-shoppers em Portugal são millennials (como eu) que procuram uma maior variedade de artigos, com comodidade, a um preço competitivo. Dou o meu exemplo – entrei no site de uma marca na qual me identifico, a Under Armour, onde valorizo o seu design, qualidade e comunicação.

Cheguei, vi, mas não me (con)venceram. A verdade é que, logo logo, estava a fazer uma pesquisa google pelas keywords “calções de ténis decathlon”. Em 5 minutos estava a comprar uns calções da sua marca Artengo, juntamente com umas calças de fato de treino também da sua marca própria por 13€, no total. Para além disso, poderei levantar em loja no dia seguinte, no trajecto trabalho-casa.

Under Armour

Porque tomei esta decisão? Porque sou um tipo de classe média que sabe que o benefício de comprar roupa de marca não é, para mim, uma necessidade. Não parece difícil de pensar assim, pois não?

Não questionando a excelente qualidade da UA e tendo algumas boas referências do material Decathlon, parece-me que longe vão os tempos em que o barato saía caro. Actualmente, conseguem encontrar-se produtos de qualidade, muitas vezes com o mesmo ou um benefício muito aproximado das marcas de referência. Basta, para isso, pensar um pouco. Como dizem os minimalistas – “Love people. Use things. The opposite never works”.

E sim, fiz uma excelente compra e sinto-me orgulhoso disso.

PS: Não revelei os preços da UA sob pena de chocar os consumidores mais sensíveis ao preço.