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Saint Germain – 20 anos de Tourist

Este álbum de Saint Germain celebra 20 anos. Tourist é um ícone, mas também um jovem com muita saúde.

Esta edição da Revista de Música pretende homenagear Saint Germain. Mais concretamente o seu álbum Tourist, que celebrou 20 anos no passado dia 18 de abril. Mas quem é o obreiro que se esconde atrás desta obra-prima?

Nas sombras de Saint Germain está o produtor francês Ludovic Navarre. Segundo a biografia da All Music, Navarre começou a gravar no início dos anos 90 usando vários pseudónimos (Subsystem, Modus Vivendi, Deepside). Numa mistura arrojada de jazz e house, Saint Germain estreou o seu primeiro álbum em 1994 através da editora de Laurent Garnier, a F Communications. Junto com Boulevard, davam-se os primeiros passos de uma nova corrente de música francesa intitulada “La French House“, onde despontavam nomes como Laurent Garnier, Cassius, Daft Punk ou Dimitri From Paris. Bons tempos, seguramente.

Tourist arranca com a sua arma mais potente, Rose Rouge. Não sei se propositadamente, pois podia correr o risco de “abafar” o resto das músicas. Não é o caso. Apesar desta primeira faixa ser um hino jazz-house ainda nos dias de hoje, há outros motivos por que devemos desfrutar do álbum até final. Curiosamente, passa uma mensagem interessante para os dias de hoje: “I want you to get together, put you hands together one time”.

Para além de Rose Rouge, vou escolher mais duas faixas com que mais me identifico. A primeira é “So Flute“. Um piano electrizante, perfeitamente encaixado numa versão dub. É daqueles temas que inexplicavelmente transmite uma “boa vibe”. Que automaticamente começamos a bater o pé ou a abanar a cabeça. Ou até ambos. A segunda é “Ponts des Arts“. Não muito citada pelos críticos, ganha a minha preferência pela sua influência house, talvez mais dançável.

Tourist é isto e muito mais. Um álbum que vendeu mais de 3 milhões de cópias em todo o mundo. Acredito que para alguns peque por ser algo repetitivo. Respondo que dependerá da circunstância. Tourist é isso mesmo. Uma viagem que pode ir até ao mais requintado club de Paris, até a um clássico sunset na praia, ou mesmo na sala de espera do dentista. Mas dos bons.

Não se pense que Tourist é um álbum básico. Navarre vai buscar vários elementos a vários géneros musicais para além do jazz e do house. A música com origem no Mali é disso exemplo. Diria até que Saint Germain “seria um homem com dupla, ou tripla, nacionalidade. Talvez por isso, Ludovic Navarre tenha estado desaparecido da cena musical durante tantos anos.

Agora que já conhecem um pouco mais sobre esta obra-prima, o melhor é mesmo escutar com atenção. Playlist do Spotify abaixo.

Tracklist: Rose Rouge / Montego Bay Spleen / So Flute / Land of… / Latin Note / Sure Thing / Pont Des Arts / La Goutte D’or / What You Think About…

Músicos: Ludovic Navarre (Conductor) / Pascal Ohse (trumpet) / Edouard Labor (Saxophone-Flute) / Alexandre Destrez (keyboards) / Idrissa Diop (Talkin’ Drum) / Carneiro (Percussions) / Claudio (Cacao) De Qeiroz (Baryton) / Ernest Ranglin (guitarist)

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Tempo de pandemia, publicidade criativa.

Será que a criatividade das marcas consegue resistir a este pandemia? Alguns exemplos de publicidade criativa actual, mas não só.

Atravessamos tempos sem precedentes. Não haverá uma única pessoa no mundo que não esteja a ser afectada pela pandemia do COVID-19. Positiva ou negativamente. Umas mais, outras menos. Há as que tentam (e bem) tornar esta situação numa vantagem competitiva. Nas empresas não é muito diferente. Algumas só agora despertam para a realidade digital. Para essas, espero que não seja tarde.

As crises económicas sempre tiveram o dom de reinventar o mercado. É certo que muitas empresas abrem falência, mesmo em áreas de actividade historicamente consolidadas. No entanto, novas oportunidades se criam. O mundo de hoje tem necessidades muito diferentes do que tinha, por exemplo, no início deste ano. É caso para dizer que nada será como dantes.

Falando de adaptações ao mercado, trago alguns exemplos de organizações que moldaram a sua comunicação à actualidade. No marketing, isso é chave. Parte importante do sucesso e crescimento que estas marcas geraram deve-se ao seu estilo de publicidade criativa. Muitas vezes disruptiva.

De uma forma ou outra, todas promovem o distanciamento social. Esse é, e deve ser o denominador comum da sociedade nos dias de hoje. É inegável que as marcas têm um papel importante na sociedade. Muitas delas representam um culto, uma religião. É por isso importante que a política de responsabilidade social esteja alinhada com as orientações das entidades competentes (WHO). Sobretudo na sua vertente de comunicação institucional. Mas será que sempre foi assim?

Sempre fui apaixonado pela publicidade que se fazia antigamente. Don Draper <3. Poucos formatos, recursos escassos, muitas vezes censura. Esta é bem antiga e remete-nos igualmente para tempos de pandemia. Nunca se falou tanto da Gripe Espanhola de 1918 como agora, essencialmente como base de comparação dos dados de propagação, mortalidade, etc… Eis algumas manobras publicitárias da altura.

Realidades bem diferentes, decerto. Curiosamente, a comunicação à volta da situação em Espanha provocou o seu nome. Ainda em período de guerra, o nosso país vizinho era neutro, mas os relatos vindos da morte do rei Afonso XIII causaram uma falsa sensação de que Espanha estava a ser especialmente atingida. Fake news, diria Donald Trump.

E porque não só as grandes marcas comerciais trabalham a sua criatividade, termino esta publicação com um dos melhores artistas contemporâneos. Deixo-vos com a genialidade Banksy, em casa, sob título “my wife hates it when I work from home“.

Fontes: Seed to Branch; Brilliant Ads

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Top-10 Séries de TV de todos os tempos

Uma lista intemporal, para todos. Alguns clássicos, umas surpresas e até novidades. Interessa não ser consensual.

Inevitavelmente, as séries de televisão acompanham-nos ao longo vida. Séries de comédia, séries de ficção científica, séries de suspense. Desde que surgiram as plataformas de streaming tv como a Netflix ou a HBO, existem séries para todos os gostos. Mas nem sempre foi assim. 

Antigamente, as séries de televisão não tinham tanto destaque como nos dias de hoje. Sem a difusão destas plataformas, interessava sobretudo as audiências televisivas na hora de continuar ou cancelar uma série. Apesar de termos mais séries, a qualidade não acompanha este aumento exponencial. A internet veio revolucionar o negócio.

Como consumidor de séries desde a minha adolescência, houve muitas que me marcaram pela positiva. Decidi eleger o meu top-10. Foi uma tarefa difícil, e certamente nem um pouco consensual. Afinal, não vi todas as séries que saíram, nem mesmo algumas de culto como o Game of Thrones ou Anatomia de Grey. Por variadas razões, este é o meu top de 10 séries de TV de todos os tempos.

10. Nip Tuck – 7.6 IMDB

A vida louca de dois cirurgiões plásticos em Los Angeles, num triângulo amoroso sem fim. Alguns podem lembrar-se vagamente pois chegou a passar na TVI. É possivelmente a série menos conhecida desta lista, mas foram exactamente 100 episódios ao longo de 6 temporadas. Praticamente todos eles começavam com uma nova paciente e claro, uma nova história. É uma série que, no seu todo, está muito bem distribuída entre temporadas. Consegue tocar especialmente em algumas questões mais sensíveis do mundo da cirurgia plástica, ao mesmo tempo em que o seu enredo “estilo novela” se vai desenvolvendo. Não é aquela série viciante, mas facilmente se criam laços com Nip Tuck.

nip tuck top 10 séries

09. The Mentalist – 8.1 IMDB

O clássico tipo de série que resolve crimes. Decorreu entre 2008 e 2015, e conta como grande protagonista o “consultor mentalista” Patrick Jane e a detective Teresa Lisbon. Apesar de ter uma razoável componente de ficção, há episódios em que podemos aprender algo com o mentalismo de Jane. Muitas das vezes, ao ajudar a desmascarar charlatões que vão aparecendo. Durante praticamente toda a série, tenta apanhar o assassino da sua mulher e filha, o temido “Red John”. É uma série que acompanhei sempre que as temporadas foram saindo. Não sei bem porquê, mas é uma série especial.

the mentalist top 10 séries

08. Modern Family – 8.4 IMDB

Sem dúvida uma das melhores séries de comédia de sempre. Muito actual, tem todos os ingredientes para que cada episódio seja um desafio. Adopção e casamento homossexual, uma relação entre um casal com 30 anos de diferença, e uma típica família numerosa americana. Todos coabitam entre si, e todos lutam desesperadamente pelo seu espaço. Já para não falar nas anedotas de Phil Dunphy. Confesso que não estou com a série actualizada, mas o seu sucesso é facilmente comprovado pela 11ª temporada que se encontra em produção. 

modern family top 10 séries

07. Californication – 8.3 IMDB

Uma série que vive da sua personagem principal, o escritor frustrado Hank Moody, protagonizado por David Duchovny. Após os primeiros episódios, é fácil perceber por onde vai andar o enredo desta história. Muitas mulheres, uma relação difícil com a filha, e uma história inacabada com a sua ex-mulher. Californication é uma série viciante, onde cada episódio passa a voar. A relação particular de Hank com o seu agente, Charlie Runkle, é outro dos motivos de diversão da série. Com 7 temporadas, foi produzida pela Showtime de 2007 a 2014 e ocupa um honroso sétimo lugar nesta lista.

californication top 10 séries

06. Entourage – 8.3 IMDB

Aqui está uma série que não dava nada por ela ao início, mas que se revelou uma agradável surpresa. Entourage gira à volta do seu personagem principal Vince Chase (Adrian Grenier), e como o próprio nome da série indica, de todos os que andam à sua volta. Um jovem actor que desponta em Hollywood, com um grupo de amigos onde se inclui o seu irmão, Johnny “Drama” Chase. Um dos personagens mais cómicos a que já assisti, sem esquecer o seu agente Ari Gold. Esta série dá mesmo para rir. Ao longo das 8 temporadas, são muitas as situações limite onde parece que tudo vai acabar mal. Uma sequência de acontecimentos nas vidas destes rapazes que têm na união e amizade as suas grandes virtudes.

entourage top 10 séries

05. Six Feet Under – 8.7 IMDB

Aqui a escolha começa a ser difícil. O meu top 5 tem séries muito diferentes, mas só podia ser assim. Six Feet Under, ou Sete Palmos de Terra, é uma produção genial da HBO. Uma curta sinopse desperta logo grande curiosidade. As vidas de uma família disfuncional que gere uma funerária em Los Angeles. Sem dúvida alguma, a melhor comédia dramática que vi até hoje. Em Six Feet Under nada é previsível. É uma série em que nos apaixonamos pelas personagens, de tão ricas de conteúdo que são. De salientar o papel de Michael C. Hall, que interpreta um dos irmãos responsáveis por gerir a funerária após a morte do seu pai. Não esperem grandes agitações. É uma série um pouco lenta, para apreciar todos os seus momentos, de tão genial que é.

six feet under top 10 séries

04. Black Mirror – 8.8 IMDB

Deixar Black Mirror fora do meu top 3 é quase um crime, mas são escolhas que têm de se fazer. Conheci-a quando ainda era produção da BBC, e logo senti que iria ser disruptiva, antes de ser comprada pela Netflix. Há aquelas séries que chegam no momento certo, e Black Mirror veio para nos alertar dos perigos da tecnologia. Fala-nos (e bem) do que ela tem de bom, mas sobretudo do mau. Muitos dos episódios são demasiado futuristas. Outros, nem tanto. O facto dos episódios não terem uma ligação faz com que a série possa ser consumida aleatoriamente. Ah, e não fiquem chocados com o primeiro episódio 🙂

black mirror top 10 séries

03. Breaking Bad – 9.5 IMDB

Considerada por muitos uma das melhores séries de sempre. A história do professor Heisenberg é brutal. A sua personagem, interpretada genialmente por Bryan Cranston, deixa-nos apaixonados e viciados ao mesmo tempo. Acreditem que sei do que falo, pois não fui vendo ao longo do tempo de emissão. Aliás, comecei a ver Breaking Bad quando já tinha terminado. Creio que vi tudo em pouco mais de 2 meses, em exclusivo. A série gira em volta de um professor que, ao descobrir que tem uma doença terminal, passa a utilizar todos os seus conhecimentos de química para criar uma nova espécie de metanfetaminas. E o “pior”, é que passa a ser a melhor do mercado. O seu ex-aluno Jesse, os seus dramas familiares, os “Los Pollos Hermanos”, etc… Não faltam razões para passar umas boas horas colado ao ecrã. Disponível na Netflix e HBO.

breaking bad top 10 séries

02. Seinfeld – 8.8 IMDB

Não sei se vou conseguir perdoar-me por não colocar Seinfeld no número 1. No entanto, é a série mais especial, e por que mais carinho tenho. De todas as séries da lista, esta é a única que nasceu nos anos 80, e também a única que morreu nos anos 90. É um clássico, portanto. É a única série em que vi tudo, várias vezes. Continuo a ter todos os episódios num disco externo. Volta e meia, lá escolho um aleatoriamente para ver, só para ter o prazer de me recordar da sua história. Os personagens são incríveis. Quando foi proposta à CBS, o produtor Larry David afirmava que era uma sitcom sobre…nada. Vejam a série, e logo vão perceber porquê. As aventuras dos amigos Seinfeld, George, Elaine e Kramer são qualquer coisa de delicioso. São 9 temporadas, mas com episódios muito curtos.

seinfeld top 10 séries

01. Dexter – 8.6 IMDB

Sabem aquela série em que sempre que termina uma temporada fazem…wow!?!? Como é que é possível ter acabado assim? E agora, o que lhe vai acontecer? Pois é, Dexter é assim. Foi uma das únicas séries que seguia religiosamente sempre que saía, episódio a episódio. Acho que foi isso que me levou a colocá-la no número 1. Aquele suspense, aquela angústia de ter de esperar uma semana por um novo episódio. Os mais novos já não sabem o que isso é. Resumidamente, Dexter conta a história de um serial killer que se tornou polícia criminal, seguindo os ensinamentos do pai adoptivo, para conseguir viver em sociedade. Se há melhor argumento que isto, não sei. Dexter é genialmente interpretado por Michael C. Hall, e é um daqueles papéis que perseguem a vida do actor até ao final da sua vida. 

dexter top 10 séries

E foi a minha lista. Recordo que este é o MEU Top-10. Sem influência de qualquer tipo de críticas. É pura e simplesmente a minha apreciação, daquilo que vi.

É sempre positivo ver séries diferentes do vosso gosto pessoal. Ou que à partida não sejam “o nosso estilo”. Há sempre séries mais antigas que se podem experimentar, mesmo estando ajustadas a outra realidade. Continuam a existir excelentes produtores, actores e argumentistas. O mais difícil é mesmo escolher. Lembrem-se que nos cabe sempre escolher se passamos tempo de qualidade, mesmo em frente ao ecrã.

Para terminar, deixo algumas produções mais recentes que vale a pena dar uma olhada:

Afterlife

Barry

Bad Blood

Bodyguard

Bloodline

Fariña

Sex Education

Succession

The English Game

The Outsider

The Night Of

ZeroZeroZero

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Revista de Música #01

Um dos artistas mais aclamados da cena electrónica. Uma lenda viva de Detroit. Moodymann e o seu álbum Silentintroduction, nesta edição da “Revista de Música”.

Nesta edição da Revista de Música, falo sobre Kenny Dixon Jr. Em concreto, sobre o seu mais conhecido alter-ego, Moodymann. O seu primeiro álbum, Silentintroduction, de 1997, editado pela label Planet E.

Falamos de uma compilação de alguns temas lançados anteriormente como “Misled”, “I Can’t Kick This Feeling When It Hits”, ou “Answering Machine”. 

Moodymann dispensa apresentações para os amantes de música electrónica. Ou do House. Ou do Techno de Detroit. Ou das suas influências do Jazz. Moodymann é isto mesmo, um polvo que se movimenta com um estilo musical em cada tentáculo

Segundo a All Music, Silentintroduction é sem dúvida o seu melhor lançamento. Não tão experimental como os seguintes, trata-se do ponto de partida que o catapultou para ser o que é: uma lenda do underground.

Silentintroduction é elegante. Fica a sensação de ser um álbum que pode ser escutado em qualquer ocasião. Seja na garagem lá de casa, enquanto aspiramos o carro, seja no melhor club de Nova Iorque.

Moodymann transforma coisas simples e mundanas, em música que não é banal. Música que se torna especial. Se este álbum se vendesse em garrafas, deveria vir no rótulo a mensagem “ouvir com moderação”.

Para escutar sem pressas. Moodymann alcança a excelência através de loops melódicos e ritmados. Não dispensa um kick mais dotado. É um homem que produz música como se estivesse a sonhar com os aplausos do público.

Consegue juntar vários elementos ricos de forma mágica. Mistura instrumentos como o saxofone e o piano como ninguém. Ao longo de cada tema, as personagens vão partilhando o protagonismo, como acontece em “Answer machine”.

As raízes negras de Moodyman e a influência racial sobre a sua música estão sempre presentes. Sobretudo as dificuldades que existem em crescer em ambientes hostis. O seu tema “Music People”, termina com uma ode à sobrevivência.

A espaços, varia a contemporaneidade da sua música por estilos emergentes dos anos 70, como o Disco. Um jazz acelerado com uma forte e intermitente batida de rock. A lembrar a banda sonora da actual série da HBO, The Deuce, que também recomendo.

Quando corta os graves, Moodymann trata o álbum como se de um gig se tratasse. Provavelmente, porque sente que as coisas devem ser vividas no momento, e não para serem planeadamente perfeitas.  

Sem nada que o espere, termina com uma faixa de house progressivo que faz inveja aos melhores produtores da especialidade. Provavelmente porque, para este homem, a noite termina num after com amigos. Que tema electrizante, este “Dem Young Sconies”.

Vi este senhor uma vez na vida. No último dia da primeira edição do Lisb-on, em 2014 (na imagem em cima). Admirei essencialmente a sua postura. Alguém simples, de fácil e bom trato. Alguém que ali está apenas e só com uma missão: divertir as pessoas com boa música.

Para muitos, um dos melhores álbuns de música electrónica de sempre

Podem ouvir aqui em baixo um cheirinho, através do Spotify.

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Como (não) aumentar a produtividade em 13º!

Querem acabar com um dos momentos mais confortáveis do dia. Vale tudo para aumentar a produtividade nas empresas?

Hoje falo sobre como (não) aumentar a produtividade no trabalho. Mais concretamente, da forma como as sanitas podem influenciar a performance do trabalhador.

À partida parece uma questão sem grande história. Diria mesmo cómica. Mas não, há toda uma discussão séria em torno do assunto.

Uma startup britânica chamada StandardToilet lançou um modelo inovador de sanitas. O seu principal benefício é….preparem-se…

Tornar desconfortável estar sentado na sanita por mais de cinco minutos!

Em linguagem de marketing, esta é a “proposta de valor” da empresa. Em termos práticos, falamos de uma sanita que tem uma inclinação de 13º. Parecendo absurda à partida, a ideia promete ter sucesso para algumas organizações.

Segundo o senhor que inventou a sanita, a ideia surgiu num dia de ressaca. Ao estar num sítio público, todas as retretes estavam ocupadas e eis que…bling!

O objetivo é claro. Fazer com que os trabalhadores não passem tempo demasiado na casa de banho. É este é um problema sério dos dias de hoje?

Um estudo realizado em Inglaterra, diz-nos que, em Londres, um trabalhador pode passar até 28 minutos diários fechado na casa de banho.

Antes de esmiuçar a questão, mostro-me totalmente contra a adoção desta medida, por toda e qualquer empresa que o decida fazer.

Primeiro, é preciso perceber porque é que isto acontece. Será por passarem demasiado tempo no trabalho? Será para “tirar um tempo” só para eles? Será simplesmente para procrastinar ou para actualizar as redes sociais?

Segundo, é preciso ver que nem toda a gente tem o “benefício” de ter tempo “ilimitado” ou “não controlado” para ir à casa de banho. Há trabalhos muito rígidos em que as pausas são contadas ao segundo.

Terceiro, é preciso avaliar as reais condições em que as pessoas trabalham. Há sítios que não têm as mínimas condições de bem-estar ou até de higiene.

Como o responsável da empresa afirma, “nos tempos modernos, a retrete do local de trabalho tornou-se um sítio privado de escrita e de uso das redes sociais”. 

Consigo perceber que o uso dos smartphones se exacerbou a este ponto, e isso constitui um problema. Mas não consigo perceber como é que tornar desconfortável o acto de fazer necessidades fisiológicas possa resolver esse problema. Até porque, para muitos, 5 minutos não é suficiente.

Os trabalhadores devem ter direitos. Num mundo ideal, o local de trabalho deverá ser o mais aproximado possível do nosso lar. O conforto dos mesmos, uma prioridade para os empregadores.

Tal como as pessoas que cada vez mais trabalham remotamente, em casa. E o patrão não está a ver quanto tempo passam na casa de banho. 

Se eu trabalho por objectivos, até posso passar meia-hora sentado na sanita. Desde que os cumpra, tudo bem. Não é assim?

Sejamos realistas. Qualquer pessoa que quiser procrastinar, não precisa de ir para a casa de banho para o fazer. Mesmo que seja mais difícil porque o chefe está a ver, há sempre forma de se alienarem.

Ainda sobre o inventor das sanitas e o efeito que causa nas pessoas. Parece que a sensação é semelhante a um “agachamento de baixo nível”. Como estar de cócoras, mas sem causar danos para a saúde

Já estou a imaginar o pessoal a ficar com grandes mocas (pernas) por passar demasiado tempo na casa de banho. 

Fazendo uma análise 360, em que vejo a questão também na perspectiva do empregador, continua a parecer-me uma ideia descabida. Talvez porque valorizo em demasia este assunto em particular.

Talvez porque todos devemos ter condições de trabalho, que é o mínimo exigido. Talvez porque NÃO é assim que se MOTIVA para o aumento da PRODUTIVIDADE. Disso, estou certo!

E agora, vou só ali à casa de banho para publicar isto no Instagram 🙂

In Crónica “É só pra chatear

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Sensibilização digital

Já não conseguimos viver sem redes sociais? E como é que conseguimos combater esse flagelo? A digitalização da sociedade chegou sem aviso e veio para ficar.

“Isto anda tudo muito sensível”, ouvia-a eu, certo dia. “Já não há respeito”, “antigamente é que era, as pessoas conviviam, divertiam-se e não havia cá telemóveis”. Quem nunca ouviu uma versão aproximada destes comentários, sobretudo da boca (ou do perfil de facebook) dos mais velhos?

Um misto entre pseudo-moralismo e fanfarronice, diria. Todos nós temos o PODER de opinar nos dias de hoje. É-nos permitida uma tamanha liberdade de expressão. Temos o luxo de escolher qual a via de comunicação que mais se enquadra no nosso perfil. Refiro-me, claro está, às redes sociais. Ora vejamos alguns exemplos:

Facebook

Geração com mais de 40 anos que contactou pela primeira vez com uma rede social. A minha avó não tem, felizmente.

Instagram

Geração millennial que privilegia a imagem e procura encontrar “o seu target”, isto é, fazer de tudo para ter uma DM (direct message) de alguém, mesmo que para isso tenha de atirar-se para um poço. Também existem marcas e influencers.

Twitter

Um misto de pseudo-intelectuais e putos que desabafam quando comem a sua taça de Chocapic ou são barrados à porta da discoteca. É “permitido” conteúdo pornográfico, e não estou a falar da forte comunidade jornalística.

Linkedin

Rede social dos profissionais que querem influenciar outros profissionais. Alguns também encontram emprego.

Snapchat

Putos que querem fazer mer** sem que os pais vejam e sem que fique registado.

Pinterest

Para reais amantes de fotografia. E não só…

TikTok

Sim, não é um programa do Canal Panda. É a rede social com mais crescimento nos últimos 2/3 anos. Gente (muito) jovem que gosta de “adornar” os seus dotes de cantor. Ou de palhaço, não sei bem.

Quora

Uma rede social de perguntas, e respostas, naturalmente. Muito interessante e educativo. Spoiler alert: Poderão haver alguns pervertidos.

Logicamente estou a generalizar. Haverá um par de seniores com Instagram e CEO´s de grandes empresas sem Linkedin, mas é esta a primeira imagem, sem filtros, que me vem à cabeça quando penso numa breve descrição para elas.

Recordo que a minha análise recai nas pessoas que as frequentam, e não nas suas reais potencialidades, como de negócio. A mensagem é simples: Podemos ser quem queremos, o que queremos, onde queremos e como queremos.

Isto tem tanto de belo como de perigoso. À medida que o mundo se vem digitalizando, o Facebook e o Instagram já não chegam, pois as gerações mais recentes evidenciam necessidades diferentes, cada vez mais segmentadas, cada vez mais de acordo com aquilo que são as pessoas de hoje em dia.

As pessoas já não são um Facebook, que representa uma rede mainstream que permite essencialmente “estar vivo online”, onde teoricamente podemos fazer tudo mas não somos especialistas em nada – as pessoas de hoje são o Pinterest, o Snapchat, o TikTok, que contêm funcionalidades específicas que se identificam com as preferências e valores das gerações mais jovens, aquelas que nunca experienciaram o offline.

Não é isto que me preocupa. Isto, é o sinal dos tempos, das novas realidades, dos novos sonhos. Quem é que, há 10 anos atrás, teria como objetivo criar uma app? Há 10 anos, é aqui ao lado! O que são 10 anos na história da humanidade?

Como se mudam os sonhos em tão pouco tempo. Como se mudam os percursos de vida neste ápice onde cabe a digitalização, a robótica, a inteligência artificial. Tudo é IT, tudo é tudo é Big Data, tudo é smart whatever it is.

E porque aqui falamos de pessoas, alguém duvida que somos tratados cada vez mais como um número e menos como ser humano? Por outro lado, somos cada vez mais individualistas mas queremos ao mesmo tempo pertencer a uma falsa comunidade.

Temos ferramentas que nos aproximam das pessoas, mas que nos fazem mais dependentes de quem está longe. Ignoramos os que estão à frente dos nossos olhos. O nosso colega de trabalho, que entrou recentemente na empresa, ou a senhora idosa que precisa de ajuda para atravessar a passadeira.

Num piscar de olhos, deixámos de nos aperceber do real poder das acções. Saber diferenciar a banalidade do que é realmente importante. Impera uma espécie de moralismo vigente, do politicamente correcto.

Passámos a ser especialistas a tentar encontrar o ponto fraco do outro e não a valorizar atitudes. Tudo é deturpado, nada é claro, tudo é discutível. Calma, um sumo de laranja continua a ser um sumo de laranja.

A digitalização tirou-nos muita coisa, que não essencial, mas verdadeira. Perdemos a capacidade de nos desenrascar, de ir à procura, à aventura, com medo mas com convicção que “só dava assim”.

O pau de selfie tirou-nos a conversa com a miúda que nos tira a foto, o GPS tirou-nos o privilégio de pedir indicações – as saudades que eu tenho de ouvir um “é já ali, não tem nada que enganar”. Já não socializamos tanto porque em vez de perguntar ao pai, ao colega, ao professor, ao médico, podemos fazer uma pesquisa no Google.

A digitalização também é (sentir) isto.

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8 motivos para odiar o jogo do amigo secreto

O jogo do amigo secreto tem o poder de afectar muita gente. Percebam porquê…

A escolha da prenda do amigo secreto é, para muitos, um dos acontecimentos do ano. Mesmo comparado com o Natal, há quem leve mais tempo a preparar esta escolha do que o bacalhau para a consoada.

Bem sabemos que esta época é prolífica em acontecimentos que reúnem os mais variados grupos. Desde jantares da empresa, do ginásio, das solteiras quarentonas, ou mesmo dos que apenas querem arranjar um pretexto para se embebedarem.

De há uns anos a esta parte, vou contactando com esta espécie de jogo chamado “o amigo secreto”. Há certas tribos que o apelidam também de “amigo oculto”. Após uma breve pesquisa, percebi que podem existir até 9 (!!!) variações deste jogo.

Certamente haverá mais formas de o fazer. Tudo dependerá da criatividade dos intervenientes. Basicamente, o objectivo passa por ter de oferecer, e receber, uma prenda cujo emissor e receptor são desconhecidos à partida.

Não bastava termos de levar com os jantares de Natal em que somos “obrigados” a ir, temos ainda de levar com este jogo. “Ah e tal é giro, é só para o convívio, vais ver que vais gostar”. Não meus amigos, não é giro, e passo a explicar os meus 8 motivos para odiar o jogo do amigo secreto. Tenho em mim, que poderiam ser muitas mais.

1- A ocasião

Já não bastava ter de gramar com o jantar do grupo de teatro do 3º ano da escola primária, ainda vou ter de comprar uma prenda. Não é justo. Voltar a contactar com um grupo de pessoas com as quais não contacto regularmente pode ser muito desesperante, sobretudo na hora de oferecer algo.

2- O processo de escolha

A agonia começa. A primeira coisa que me vem à cabeça é: mas o que é que eu vou comprar? Sobretudo se for um grupo misto onde tanto posso calhar a uma senhora de 60 anos ou um jovem de 25. Seja a dar, seja a receber. Para um será uma boa prenda, para outro pode ser o descalabro.

3- A re-prenda

Normalmente pessoas que recorrem a presentes que lhe foram oferecidos no passado. Não é falta de criatividade, é “forretice”. Nem mesmo quando é absolutamente explícito que É ATÉ 5 EUROS! Como se uma caixa de chocolates Merci da Páscoa de há três anos não fosse totalmente decifrável. Shame!

4- A compra por impulso

Começa o descontrolo. Falta uma hora para o jantar e ainda não comprei nada. Calma, ainda há tempo para passar na Tiger e comprar aquela prenda que é engraçada, mas não serve para nada. Nem mesmo para comer.

5- O engraçadinho

Quem nunca recebeu como prenda do amigo secreto umas algemas? Ai que eu sou tão marota…. Sobretudo se for no jantar da empresa e calhar à Clara da contabilidade. Vai ser diversão na certa.

6- A desilusão

Confessem que todos já passaram por isto. Até eu. Sobretudo quando compras uma boa prenda e recebes aquela que é claramente a mais fraca de todas. O amigo secreto é isto mesmo, uma espécie de roleta russa dos tempos modernos.

7- A inveja

Aquele olhar ameaçador de quem começa a querer trocar o que recebe. Pior ainda, que começa a cobiçar as prendas dos outros e a querer trocar como se de uma OPA a uma multinacional se tratasse.

8- O inimigo secreto

Por último, mas não menos importante. Aquela pessoa que tu desejas que não te ofereça nada. Simplesmente só porque ela existe. Quando consideras que conviver com ela já é a boa acção do dia, mas o karma encarrega-se do resto.

O Natal é uma época propícia a estas peripécias. Podemos destratar-nos  durante o ano, mas nesta altura só queremos gastar o décimo terceiro mês em coisas insignificantes. Religiões à parte, o espírito de comunidade deveria ser praticado o ano inteiro, e não apenas nesta altura.

Consigo perceber que se queiram elevar estas ocasiões, mas não devemos levá-las tão a sério. Devemos sim, durante todo o ano, praticar acções que desenvolvam o espírito de entreajuda entre os grupos. Vão ver que é muito mais fácil do que encontrar uma prenda para o jogo do amigo secreto.

In Crónica “É só pra chatear

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Quem sou?

Este é o primeiro artigo criado em exclusivo para o blog. Talvez o mais difícil, por ser o primeiro.

Este é o primeiro artigo criado em exclusivo para o blog. Talvez o mais difícil, por ser o primeiro. Não quero dar demasiada importância. Sei que, se estão a ler isto, é porque são especiais.

Gosto de escrever, amiúde, mas poucos foram os que contactaram com a minha escrita. Decidi criar esta espécie de alter-ego, não sei bem porquê, mas senti necessidade de o fazer. Veremos.

Não quero que este espaço seja o reflexo daquilo que sou. Não tenho como objectivo que me conheçam através do blog. Quero ser anónimo até querer, como acho que ainda devemos ter esse direito, em vários momentos da nossa vida.

Quero escrever sem acordo ortográfico, se me apetecer, quero cumprir com o novo acordo, às segundas-feiras. Na verdade, só quero fazer e dizer o que me apetecer. Quero que me julguem, pois é sinal que estão vivos, mas essencialmente quero escrever assim, sem filtro, sem reservas.

Sou marketer. Não sou bem sucedido, apenas pelo estrangeirismo da profissão. Ainda ando a ver o que ando aqui a fazer. Pode ser este, o blog, o meu propósito de vida – ou não. Não tem de o ser.

As boas práticas dizem que devo, no meu blog, focar-me num nicho de mercado. Na verdade, quero focar-me nos meus nichos de mercado, o que vai completamente contra a ideia. Quero escrever sobre tudo, tudo o que me apetece.

Aprecio o meu espírito crítico. É algo que me define. Será, porventura, onde incidirá a retórica dos meus artigos. Não sei. Quero falar. Quero falar sobre a minha comida, quero recomendar a minha música, quero partilhar algo de valor.

Quero ser um pouco como o rapaz da foto. Entra a medo, mas está seguro que vai entrar. Em tempos de sacrilégio interpessoal, só quero ser isto – um Perfeito Imperfeito.

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Não sabias?

Somos inundados diariamente por estatísticas. Estudos sobre as mais variadas temáticas, desde a medicina à sociologia, dos malefícios do tabaco aquecido ao sítio mais trendy para viajar. Quando clicamos numa notícia do género (os que clicam), serão poucos os que se interessam pelas variáveis, a amostragem ou o objectivo do estudo. No final, o que nos interessa é a grande conclusão, a descoberta do segredo, a generalização. É podermos chegar ao café e dizer, “não bebas água à refeição, diz que engorda”. O mito surge.

Uma das mais poderosas conjugações de palavras que o português tem é: “Não sabias?” Quando aplicamos esta expressão verbal, sobretudo em tom jocoso, podemos ser atingidos de forma a perder 50kg de auto-estima. Senhores responsáveis pela circulação de publicações noticiosas (vulgo jornalistas), tenham muito cuidado com os estudos que publicam. É que um vosso qualquer pseudo-estudo-inovador conjugado com um “não sabias” pode fazer grandes estragos.

Isto até pode dar para rir, mas passem lá por isto a ver se tem piada. É que simplesmente não conseguimos argumentar. Faz-se forte a gente fraca. As pessoas que difundem estas notícias “clickbaitianas” podem destruir amizades, forçar divórcios, causar mal-estar. Têm noção disso? É pegarmos num café e ficar a saber que três por dia (nem mais, nem menos) é o ideal para a saúde cardiovascular. É aquecermos o tupperware de plástico e ficar a saber que há 89% de probabilidade de ser cancerígeno. É bebermos água da torneira e ficar a saber que faz mal.

E perguntamos nós – faz mal, porquê?

Não sei, li num estudo.

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Até onde vai o fanatismo pelas marcas?

Não gosto de fazer compras, seja em que ocasião for. Ainda assim, preciso de o fazer com alguma frequência. Aqui o tema é material desportivo.

Até onde vai o fanatismo pelas marcas

Não gosto de fazer compras, seja em que ocasião for. Ainda assim, preciso de o fazer com alguma frequência. Aqui o tema é material desportivo. Quem é que nunca gostou de ter um equipamento de marca? Quem é que nunca quis ter aquela t-shirt da Nike com o Jordan?

Recentemente, através de mais uma produção Netflix, tomei conhecimento de dois tipos americanos (quem mais?) que iniciaram um movimento de seu nome The Minimalists. O documentário é curtinho, a história à volta da criação do movimento é minimamente interessante, e cedo me identifiquei com algumas doutrinas destes bons rapazes. Eu, que sou “um gajo de marketing”. Mas o que quer isto dizer?

The Minimalists
The Minimalists

Compras grandes não são grandes compras. Neste momento estava a precisar de uns calções para a prática do padel (tenho três, dois deles já rotos) e umas calças de fato de treino básicas. Como faço parte dos 37% de portugueses que fez compras online nos últimos 12 meses (Eurostat, 2018), decidi navegar no grande mundo do e-shopping.

Sem qualquer referência, a minha intuição diz-me que boa parte dos e-shoppers em Portugal são millennials (como eu) que procuram uma maior variedade de artigos, com comodidade, a um preço competitivo. Dou o meu exemplo – entrei no site de uma marca na qual me identifico, a Under Armour, onde valorizo o seu design, qualidade e comunicação.

Cheguei, vi, mas não me (con)venceram. A verdade é que, logo logo, estava a fazer uma pesquisa google pelas keywords “calções de ténis decathlon”. Em 5 minutos estava a comprar uns calções da sua marca Artengo, juntamente com umas calças de fato de treino também da sua marca própria por 13€, no total. Para além disso, poderei levantar em loja no dia seguinte, no trajecto trabalho-casa.

Under Armour

Porque tomei esta decisão? Porque sou um tipo de classe média que sabe que o benefício de comprar roupa de marca não é, para mim, uma necessidade. Não parece difícil de pensar assim, pois não?

Não questionando a excelente qualidade da UA e tendo algumas boas referências do material Decathlon, parece-me que longe vão os tempos em que o barato saía caro. Actualmente, conseguem encontrar-se produtos de qualidade, muitas vezes com o mesmo ou um benefício muito aproximado das marcas de referência. Basta, para isso, pensar um pouco. Como dizem os minimalistas – “Love people. Use things. The opposite never works”.

E sim, fiz uma excelente compra e sinto-me orgulhoso disso.

PS: Não revelei os preços da UA sob pena de chocar os consumidores mais sensíveis ao preço.

Revista de Música #00

Apresento-vos o cantinho mais melodioso do Blog. Uma “Revista de Música” que se estreia com um tema raro dos Röyksopp.

Não posso deixar de iniciar este artigo sem falar um pouco da categoria em que se insere – Música. A música sempre teve para mim um significado especial. Não me considero um crítico musical. Estou muito longe disso.

Tal como nas demais categorias, a minha opinião crítica deve ser entendida com a importância que lhe atribuírem. É verdade que não tenho um gosto musical muito convencional. Muito menos consensual. Não esperem análises sobre o top das rádios nacionais. Tentarei trazer-vos coisas frescas, ou recordar-vos de temas que, por algum motivo, vos passaram ao lado.

É por isso que decidi criar o “Revista de Música“. Uma análise estritamente pessoal de um determinado tema, artista ou álbum. Seja ela de forma analítica, ou mais sentimental. Assim, dou início ao primeiro número.

Começo com uma música do duo norueguês Röyksopp. Tradicionalmente electrónica, esta foi parte integrante da “Bergen Wave” nos idos de 1998. Este movimento caracterizou-se por um numeroso grupo de artistas que ganhou força através das novas criações que emergiam na cidade.

O seu tema mais badalado foi “What Else is There”, originalmente produzido em 2005. Aqui, podem ficar a conhecer alguns factos interessantes sobre os Röyksopp.

A faixa que vos trago é outra. No passado mês de fevereiro, os Röyksopp lançaram uma playlist com algumas músicas raras. Uma lista de reprodução a que chamaram “Lost Tapes”, e que vem sendo actualizada ao longo deste ano.

Foi a 15 de novembro que lançaram “Shores of Easy” em plataformas como o Spotify. Um single originalmente publicado em 2011, e agora recuperado pela dupla norueguesa. Como os mesmos referem, uma trilha sonora de 14 minutos destinada a reflectir o estado entre estar acordado e a dormir – o estado em tudo parece possível.

Confesso que não conhecia esta faixa de Röyksopp. Estava a percorrer uma playlist com novidades e, para além do nome dos artistas, cativou-me a duração da música. Gosto de temas extensos, com história. Temas que deambulam entre vários estados emocionais, como este.

Uma electrónica com classe, sem pressa de chegar ao fim. Uma viagem de olhos fechados, percorrendo um misto de sentimentos. Um tema que não pode ser tratado com banalidade. Um tema que requer carinho, como se de um longo abraço se tratasse. Para ouvir, e escutar com atenção.

Röyksopp – Shores of Easy (Lost Tapes)